Enquanto na transmissão analógica um programa ocupa um canal inteiro de TV, na transmissão digital esse canal pode ser subdividido. Essa subdivisão acontece da seguinte maneira: a faixa de frequência de 6 MHz é repartida em 13 segmentos, conforme a modulação do sistema brasileiro de transmissão.

Doze desses segmentos carregam em si áudio e vídeo de alta definição, que podem ser recebidos por aparelhos fixos (como os televisores) e portáteis (minitvs, pen TVs e notebooks, por exemplo).
O outro segmento - chamado de one-seg, do inglês one segment, ou um segmento - tem um sinal em baixa definição, destinado para os receptores móveis, como os telefones celulares. A definição é menor porque essa programação vai ser exibida em telas reduzidas, que exigem menos qualidade.
Além disso, também é o sinal localizado no centro da faixa de freqüência, mais protegido das interferências externas e também mais robusto, para evitar a queda da transmissão durante o deslocamento do usuário.
Com a mobilidade, é o fim da urgência de chegar em casa para assistir ao programa favorito:É graças ao sinal digital, a programação da Globo Nordeste está ao seu alcance a qualquer hora.
A divisão do canal digital possibilita que as emissoras exibam programações diferentes entre si em seus diversos segmentos é a chamada multiprogramação. Vale esclarecer que a qualidade do sinal cai conforme ele é dividido. Ou seja: os benefícios de áudio limpo e nitidez e detalhamento da imagem que a transmissão digital pode trazer vão se perder, uma vez que a divisão obriga as emissoras a manter a transmissão no padrão standard, que tem menos definição.
Mesmo sendo tecnicamente possível, a multiprogramação ainda não foi completamente regulamentada pelo Ministério das Comunicações (MC). Inicialmente autorizada apenas para as emissoras públicas federais (como TV Senado e TV Câmara), a multiprogramação vai ser utilizada em caráter experimental e científico pela TV Cultura, de São Paulo. A autorização do MC para a emissora paulistana saiu recentemente.